segunda-feira, 27 de novembro de 2017
quarta-feira, 24 de abril de 2013
O que verdadeiramente queremos – a importância dos valores
Boa tarde meu caro (a) leitor
(a)! Uma vez mais, espero que esteja tudo ótimo contigo.
Neste momento, o que me sinto
verdadeiramente inspirado a partilhar contigo é algo que percebo como sendo uma
verdade essencial que nos escapa frequentemente.
A maior parte de nós não sabe o
que quer e quando acontece (raramente), sabermos o que queremos, na verdade,
continuamos sem realmente saber o que queremos. Por outras palavras, ignoramos
que aquilo que verdadeiramente queremos não são objectos em si, não são os
empregos em si, não é o dinheiro em si, não são aquelas tão ansiadas férias em
si, não é aquele carro em si, não é aquela relação especial em si, não é aquela
tão ansiada viagem em si. O que nós, verdadeiramente queremos são os estados
emocionais positivos que acreditamos que vamos sentir, quando alcançarmos
aquilo que acreditamos que queremos.
Vou repetir, em negrito e em caps
lock: O QUE NÓS VERDADEIRAMENTE QUEREMOS NA VIDA SÃO OS ESTADOS EMOCIONAIS
POSITIVOS QUE ACREDITAMOS QUE VAMOS SENTIR, QUANDO ALCANÇARMOS AQUILO QUE
ACREDITAMOS QUERER.
Como coach, formador e futuro
psicoterapeuta, acredito ser fundamental estar em permanente contacto com esta
verdade, para que possa fazer um bom trabalho e para que possa inspirar outros a
integrarem esta verdade na sua vida.
Aquilo a que num anterior
parágrafo, chamei de estados emocionais positivos, na verdade, seria mais
correcto chamar-lhes de VALORES. Os valores não são nada mais, nada menos do
que aquilo a que cada um de nós dá valor, aquilo que valorizamos mais, aquilo
que é mais importante para nós. Para alguns de nós, o AMOR poderá ser o valor
mais importante. Para outros, poderá ser a LIBERDADE. Para outros, ainda,
poderá ser a AUTENTICIDADE. Para outros, poderá ser a PAZ, enfim, apenas cada
um de nós poderá saber o que é mais importante para si. E aquilo que é mais
importante para nós, os valores mais importantes são aqueles que, ao
percebermos como estando a ser preenchidos, nos produzem as sensações e
sentimentos que consideramos mais agradáveis e positivos.
Evidentemente que, para conseguir
fazer com que determinados VALORES estejam a ser preenchidos e a produzir
estados interiores desejáveis, há coisas que têm de ser feitas nesse sentido.
Imaginemos que tracei como objetivo para a minha a vida ter uma vivenda com
vista para o mar, no prazo de 5 anos. Seguindo o raciocínio que temos vindo a
delinear até aqui, aquilo que queremos verdadeiramente não será a casa com
vista para o mar em si, aquilo que verdadeiramente queremos, mas sim, os
estados interiores positivos de longo-prazo que acreditamos que iremos
experienciar quando esse objectivo estiver atingido. E esse estado interior
positivo poderá ser a ALEGRIA, ou a PAZ, ou a LIBERDADE ou, um sentimento de
REALIZAÇÃO PESSOAL. E até aqui, tudo ótimo. O problema poderá colocar-se caso a
pessoa que tenha traçado tal objectivo, veja a sua obtenção como o único
caminho para preencher tais valores. Porque a acontecer isso, a pessoa iria
esperar 5 anos para poder aceder a tais estados positivos, o que nos parece,
logo à partida, pouco viável.
Portanto, o desafio que aqui
mesmo se coloca é o de, uma vez descoberto o VALOR existente por trás do
OBJECTIVO, arranjar maneira de, no dia-a-dia, enquanto se luta para chegar ao
OBJECTIVO traçado, incorporar a vivência dos tais VALORES, que se acredita que
serão preenchidos quando o OBJECTIVO traçado for atingido. No exemplo anterior
da casa com vista para o mar, essa pessoa faria bem (se eu fosse seu Coach,
perguntar-lho-ia de imediato) em perguntar-se: de que maneira poderei trazer o
sentimento de ALEGRIA para a minha vida diária? Esse sentimento poderia ser
trazido de várias maneiras: fazer exercício físico diariamente, meditar
diariamente, ler livros positivos diariamente, enfim, levar a cabo actvidades
que, do seu conhecimento pessoal, produzissem o sentimento de ALEGRIA.
Poderíamos colocar-nos a seguinte
dúvida: então, mas se nesse caso, seria possível, trazer a ALEGRIA para o
dia-a-dia, sem necessidade de alcançar o objectivo traçado, para que
continuaria a ser necessário alcançá-lo? Esta dúvida poderá ser respondida por
meio de uma metáfora.
Imaginemos uma pessoa que mora
num determinado local e que para poder ter água para beber, tem de deslocar-se
diariamente e com esforço a uma fonte próxima para buscar garrafões de água. O
objectivo de ter água para beber é atingido, embora com esforço e sacrifício.
No entanto, se fosse possível ter uma fonte em casa, já não seria necessário
tal esforço e sacrifício.
Da mesma maneira que uma pessoa,
tem de esforçar-se para preencher os seus valores mais importantes no
dia-a-dia, mesmo que tal implique (e muitas das vezes, implica) grande esforço
e sacrifício. No entanto, quando o objectivo traçado é atingido, passa a
existir uma fonte permanente desses estados positivos, não sendo mais tão
trabalhoso preencher o VALOR que se pretendia desde início.
Esta forma de ver as coisas torna
a obtenção dos objectivos desejável mas não absolutamente necessário. Por
vários factores e contingências da vida, nem sempre é possível atingir
determinados objectivos, até porque alguns desses objectivos não dependem
inteiramente de nós. Não obstante, é SEMPRE possível e desejável encontrar
maneiras de, no dia-a-dia, satisfazer os nossos VALORES mais importantes.
Parafraseando Daniel Sá Nogueira, fundador da WeCreate, «a medida em que eu
vivo na prática os meus VALORES mais importantes, determina os resultados que
obtenho na vida», a que eu acrescentaria, o meu nível de BEM-ESTAR, que em
termos genéricos, é o que todos nós procuramos.
Neste sentido, é fundamental conhecermos
os nossos VALORES mais importantes porque só conhecendo-os se torna possível
traçar OBJECTIVOS correctos no sentido do preenchimento desses VALORES, bem
como, conceber estratégias de preenchimento desses VALORES na vida diária,
enquanto se caminha rumo a tais OBJECTIVOS. Ao fazer isto, não só conseguimos
vivenciar tais VALORES importantes no dia-a-dia, como maximizamos a
possibilidade de atingir esses OBJECTIVOS que tanto nos apaixonam.
E tu, já sabes quais são os teus
mais importantes VALORES? Sabes o que, VERDADEIRAMENTE, está por trás dos teus mais queridos
OBJECTIVOS DE VIDA? Será que, sequer, tens OBJECTIVOS de vida traçados? Se não
tens, eu posso ajudar-te a consegui-lo.
LEMBRA-TE: se não sabes para onde
vais, qualquer lugar serve. Se não tomares decisões, alguém as tomará por
ti...e adivinha o que eles têm para te oferecer?? Grande coisa não será,
concerteza...
Espero que tenhas gostado da
leitura.
Um grande abraço
quarta-feira, 17 de abril de 2013
A importância de ver a vida como um filme
Boa noite querido leitor (a)!
O assunto que me traz por aqui
hoje, talvez mais de um ano após a última postagem é o da importância de ver a
vida como um filme. É algo que considero essencial para ter uma vida o mais
tranquila e relaxada possível. Tranquilidade e relaxamento parecem-me estados
interiores que tornam a experiência de viver bem agradável (pelo menos, assim
penso). E parece-me também que esse estado de tranquilidade e relaxamento se
tornam bem difíceis se cometermos o «erro» de nos identificarmos com as
diferentes circunstâncias que vão ocorrendo ao longo do dia, sendo que muitas
delas são tudo menos agradáveis.
Por exemplo: pensemos numa circunstância
em que víamos um filme. Nesse filme, muita coisa ocorre, agradável ou
desagradável. Se cometermos o erro de nos identificarmos com as diferentes
circunstâncias do filme, essa identificação vai levar-nos para diferentes estados
emocionais, mais ou menos agradáveis, de acordo com o teor dos acontecimentos.
No entanto, se ao longo do filme, pudermos manter plena consciência de que
aquilo que se passa nada tem a ver connosco, deixa de haver qualquer razão para
que esse tipo de oscilação emocional (geradora de intranquilidade) ocorra.
Mantemo-nos como meros espectadores, desidentificados e não-judicativos.
A meu ver, este mesmo espírito
pode (e deve) ser transportado para a vida de todos os dias. Ao caminharmos, ao
estarmos relaxadamente sentados, ao andarmos de autocarro, ao andar de comboio,
ao estarmos na praia, ao darmos um passeio pela cidade, seja onde for e seja a
fazer o que for, podemos adoptar esta postura de observadores interessados do
filme da vida. No filme da vida podemos ser simultaneamente personagens,
observadores e realizadores, consoante a nossa vontade e conveniência. No filme
da vida existem múltiplas personagens, situações e contextos. E, da mesma
maneira que nos é possível, ao estarmos a ver televisão, mudar de canal quando
o que é transmitido não nos agrada, na vida podemos também transferir o foco da
nossa atenção de coisas que não nos agradam para outras que nos agradem mais (de
acordo com a amplitude da nossa consciência acerca do que nos agrada mais e do
que nos agrada menos).
Esta última ideia, prende-se com
a questão do livre-arbítrio. Em cada momento e situação temos uma determinada
amplitude de apreensão e captação da realidade. Imaginemos uma situação em que
vamos dentro de um comboio, deslocando-nos para determinada localidade. Nesse
contexto, estamos expostos a vária quantidade de estímulos: a paisagem que
vislumbramos de fora da janela, a conversa das pessoas do lado, o mau cheiro da
pessoa que vai do meu lado, a mulher
bonita do assento da frente, o revisor que chega para picar o bilhete, o
comboio de alta velocidade que passa em sentido contrário, enfim, vários
exemplos poderiam ser dados. E garantidamente que nenhum desses estímulos tem
absolutamente nada a ver connosco. Situados naquele contexto, esses estímulos
surgem independentemente da nossa vontade. E podemos ver qualquer desses
estímulos que surgem como se de diferentes canais de televisão se tratassem.
Quando não gostamos do programa, mudamos de canal, para encontrar um que nos
agrade mais. Da mesma maneira que, no exemplo do comboio, temos o
livre-arbítrio de mudar de assento se não gostamos da pessoa que vai ao nosso
lado, de olhar para fora da janela, se a pessoa que vai na nossa frente for
demasiado feia, de ouvir música caso se verifiquem conversas desagradáveis ao
nosso redor, de dizer ao revisor que ele já picou o nosso bilhete anteriormente
(e nos encontrarmos sem bilhete, eheh) ou, em último caso, sair numa qualquer
estação intermédia, caso o ambiente vivido dentro do comboio seja algo de
insuportável. Por outras palavras, mudando o foco da nossa atenção, mudamos
também a nossa realidade. Mudando a nossa realidade, mudamos o estado interior.
Mudando o estado interior, modificamos a nossa qualidade de vida, tornando-a
mais agradável.
Para conseguir esta mudança,
convém, por fim, diferenciar dois conceitos, já diferenciados de forma
implícita ao longo do que temos vindo a debater. Esses dois conceitos são o
contexto e o conteúdo. O contexto, seria o estar dentro de um comboio,
correspondente a uma circunstância permanente. O conteúdo seria composto por
todos os estímulos existentes dentro do comboio, correspondentes a
circunstâncias transitórias. Estar consciente do contexto permite atrelar a
nossa consciência a algo de permanente, produzindo paz e tranquilidade. Por outro
lado, focar a nossa consciência no conteúdo implica atrelá-la a circunstâncias
transitórias, instáveis e impermanentes, produzindo intranquilidade (por se
acreditar que os acontecimentos desagradáveis vão durar muito ou que os
acontecimentos agradáveis vão durar pouco). Esta diferenciação é vital, uma vez
que é muito fácil cair no erro de focar a consciência nos diferentes conteúdos
da vida o que, fatalmente, produzirá estados interiores desagradáveis. O
segredo reside na capacidade de desfrutar desapaixonadamente dos diferentes
conteúdos, mantendo sempre o contexto debaixo de olho.
Uma forma de conseguir incorporar
esta filosofia de vida é através da prática de uma técnica chamada de
contemplação, que será tema de um próximo post.
Forte abraço!
domingo, 27 de novembro de 2011
Um caminho para a excelência pessoal chamado Coaching
Boa tarde meu caro!
O assunto que hoje me traz por aqui é a excelência pessoal.
Excelência pessoal significa para mim dar o nosso melhor em tudo o que fazemos na vida. Seja o que for que façamos, tudo deve ser feito com a máxima atenção, carinho, amor, cuidado, zelo, rigor, alegria, em suma, numa só palavra, com EXCELÊNCIA.
Desde ouvir com atenção verdadeira alguém que fala connosco, a levar o lixo ao contentor sem me sujar, a mexer o café no leite com total consciência e atenção ao que estou a fazer, a não interromper o interlocutor que nos fala e que, por isso tem, obviamente, a prioridade (diz-me a quantidade de pessoas que conheces que faz isto? A quantidade é tão pequena que até assusta…), a ouvir atentamente o que um sábio professor nos transmite numa aula, a praticar desporto com excelência, com plena atenção e presença no momento, a fazer um trabalho, seja ele académico, profissional ou voluntariado (ainda para mais nesta circunstância em que não há aparentemente nenhuma recompensa material tangível), a ser grato e dizer pelo menos um obrigado a toda aquela pessoa que apresenta uma boa acção que nos beneficia, por mais pequena que seja, como seja abrir-nos a porta para passarmos, a planear detalhadamente um projecto ou uma viagem com os nossos amigos, família, ou namorada, enfim, o objectivo máximo da nossa vida é ser excelente em tudo aquilo que fazemos.
E ser excelente significa nada mais, nada menos do que dar tudo o que tenho, não necessariamente criar uma obra visivelmente e tangivelmente excelente. Por outras palavras, o Ser Excelente precede o Fazer Excelente e o Ter Excelente. Quando falo de Ser Excelente é ao Ser Excelente que me refiro porque, quando isso é verdadeiro e sólido, tudo o que se lhe segue (embora possa levar o seu tempo), será também de natureza excelente. Ser excelente significa dar o nosso melhor, mesmo quando não houver recompensa material, mesmo quando ninguém estiver a ver, mesmo quando ninguém nos aplaudir, mesmo quando possam haver consequências negativas (lamento informar mas, num mundo desequilibrado como é aquele em que vivemos, ser Excelente tem muitas vezes consequências negativas, sendo a solidão, a exclusão social, a humilhação, o sarcasmo, entre outras punições – por parte dos que odeiam mortalmente a Excelência, entenda-se - as mais evidentes), principalmente aí! A única motivação digna por parte daqueles que almejam a Excelência deverá Ser o bem-estar, a consciência tranquila, a realização pessoal, proveniente de se saber que estamos a fazer o nosso melhor, que mesmo que os resultados não tenham sido aqueles que esperávamos isso deveu-se a factores que não controlávamos (não está no meu controlo ser o melhor aluno da turma, uma vez que não é possível controlar o desempenho alheio…mas está totalmente nas minhas mãos estudar para 20 valores!). E o nosso papel é meramente o de distinguir isso! Será que não tivemos 20 valores porque não demos o nosso máximo? Ou será que não tivemos 20 valores porque o Professor é casmurro ao ponto de não dar 20 valores a ninguém? É que neste caso, a responsabilidade não foi nossa e resta-nos a consciência tranquila de termos dado o nosso melhor!
No entanto, para que raio serve esta conversa da excelência? Onde raio quer este gajo chegar com esta conversa? Onde queremos chegar com esta conversa é um local a que eu chamo: VIDA DE SONHO! É isto mesmo vida de sonho! E uma vida de sonho é uma vida de máxima realização pessoal e mínimo sofrimento. Sejas tu quem fores, seja eu quem for, todos nós seres humanos existentes à face do planeta Terra, temos, pelo menos, duas coisas em comum e que servem de base motivacional para tudo (e quando digo tudo é mesmo tudo, 100%, e não 99, 99999999999….%) aquilo que fazemos na vida. Preparado (a) para saber ou relembrar o que são essas duas coisas? Então aqui vai: tudo o que fazemos na vida tem por finalidade básica, obter felicidade ou evitar o sofrimento! Ninguém no seu perfeito juízo poderá negar isto, por maior que seja o seu nível de má fé! Pensemos um pouco: qual o motivo pelo qual vamos à escola durante tantos anos? Vamos à escola durante imensos anos porque nos ensinam desde pequenos que, se queremos ser alguém na vida, isto é, ser felizes e evitar sofrer, temos que estudar o máximo possível, tirar as melhores notas que nos for possível, adquirir o máximo de competências possível para que possamos arranjar um emprego, possamos ganhar dinheiro, possamos integrar-nos o mais harmoniosamente possível na sociedade, possamos ter condições para constituir família e sustentá-la em boas condições, adquirir uma casa, passar boas férias, enfim, ter boas condições de vida. E para que serve ter boas condições de vida senão para que possamos ter o máximo de felicidade e o mínimo de sofrimento? É essa a intenção de base, seja o que for em que estejamos envolvidos! E nada disso é possível sem Excelência, tendo a mesma vários graus de expressão e manifestação congruente com as possibilidades de cada indivíduo, como é óbvio.
A Excelência é importante porque a vida, tal como a concebo, é uma espécie de escultura. Para que a escultura saia bem feita é óbvio que o escultor tem que ter arte, tem que ter conhecimentos, tem que ter recursos, tem que ter paciência, tem que ter formação adequada, tem que saber resguardá-la de perigos exteriores, enfim, tem que Ser Excelente! Tal como na nossa vida. Para termos uma vida Excelente, a tal VIDA DE SONHO de que há pouco falávamos, temos, em primeiro lugar, de Ser Pessoas Excelentes!
Muitas pessoas, das quais já fiz parte, se queixam de que a sua Vida, ou seja, a sua Escultura, não é aquilo que desejam. No entanto, muitas dessas pessoas são também mesquinhas, egoístas, mal-educadas, irascíveis, preguiçosas, invejosas, tratam tudo e todos que encontram com o máximo desrespeito de que são capazes e, por fim, dão-se ao luxo de não assumir a responsabilidade por terem uma vida medíocre a todos os níveis! Nós apenas podemos obter aquilo que damos. Se nada damos, nada recebemos! Se o que damos é de fraca qualidade, o que receberemos será de fraca qualidade. Se o que damos é de elevada qualidade, o que receberemos será obrigatoriamente de elevada qualidade (embora possa não ser imediato, é apenas uma questão de tempo)! Se eu trato toda a gente com amabilidade, gratidão e boa educação a probabilidade de obter o mesmo em retorno aumenta muito, certo? Se eu procuro dar a toda a gente que cruza a minha vida o melhor que me for possível é provável que receba por parte destes outros o melhor que lhes é possível, certo? Se agimos com compaixão pelo próximo, procurando sempre entender que todas as suas acções, por mais estranhas que pareçam aos nossos olhos, são legítimas tendo em conta o modo como este vê o mundo e a vida, é provável que façam o mesmo comigo ou, pelo menos, teremos alguma legitimidade para esperar isso em retorno (embora não dependa de nós). Por outras palavras, Excelência tende a produzir Excelência! Ser Excelente tende a ter como consequência uma vida Excelente! A tal VIDA DE SONHO de que falávamos no início. Então e como se desenvolve e integra essa capacidade na nossa vida? Pessoalmente, conheço vários métodos que resultam e me permitem funcionar com Excelência mas, para já, vou apresentar um método que melhor me tem permitido ajudar a mim próprio e a outros no caminho da Excelência Pessoal. A este método de desenvolvimento e integração de Excelência Pessoal, dá-se o nome de Coaching!
O Coaching é um processo segundo o qual é possível rumar desde um Estado Actual até um Estado Pretendido. É uma premissa do Coaching que é sempre possível traçar um caminho entre um Estado Actual e um Estado Pretendido. O Coachee, ou seja, o cliente que se submete ao processo de Coaching, é quem vai realizar a travessia deste caminho, sendo o Coach uma espécie de guia, um facilitador, um catalisador da mudança que, através de perguntas poderosas, pertinentes e contextualizadas, (baseadas num profundo conhecimento da vida e da história de vida da pessoa a quem coube a oportunidade de ajudar) vai puxar pelo seu coachee, vai levá-lo a explorar possibilidades e alternativas, vai apoiá-lo nos momentos em que a travessia desse caminho parecer mais difícil e acidentada, ao ritmo, velocidade e forma que o coachee desejar, sem nunca impor o que quer que seja. Este processo permite ao coachee desenvolver uma qualidade extraordinária de aprender a conhecer-se, de aprender a pensar pela sua própria cabeça, aprender a confiar que as suas próprias ideias são válidas e mesmo as únicas que o mesmo pode seguir se almeja verdadeiramente atingir uma VIDA DE SONHO, seja lá o que isso representar para cada pessoa, para cada Coachee em particular. O objectivo do Coaching nunca poderá ser o de dar conselhos uma vez que, por definição todo e qualquer conselho é necessariamente descontextualizado. Cada pessoa é cada pessoa, um Ser único e individual, com ritmo próprio, sonhos próprios, aspirações próprias, estratégias próprias e, neste contexto e no limite, apenas o próprio poderá determinar com total certeza e precisão o que é melhor para si, quais as melhores estratégias para conseguir o que é melhor para si, enfim o caminho mais harmonioso para lá chegar. Em suma, o Coach tem as perguntas e o Coachee tem as respostas.
O processo de Coaching tem também por base o compromisso entre Coach e Coachee, sendo que em cada sessão o Coachee se compromete com o Coach e consigo mesmo a realizar determinadas tarefas mutuamente acordadas, tarefas essas que têm a finalidade de aproximar o Coachee cada vez mais dos Objectivos pretendidos. Coach e Coachee acordam que até à sessão seguinte, certas tarefas serão executadas e o Coachee compromete-se a informar o Coach acerca da realização dessa tarefa (uma pergunta típica realizada pelo Coach nestas situações è uma questão célebre: “Como poderei eu saber que realizaste a tarefa X?”).
Os moldes em que decorrem as minhas sessões de Coaching são os seguintes, quer por Skype, quer presencialmente:
- Uma primeira consulta gratuita e sem qualquer compromisso. Este primeiro contacto tem por finalidade averiguar o nível de compatibilidade entre Coach e Coachee, determinar o estado actual do Coachee e definir Objectivos e acordar os moldes em que as seguintes sessões irão decorrer (duração de cada sessão e sua frequência – por exemplo, semanal; preços e modo de pagamento; regime Skype ou presencial; duração prevista do processo – por exemplo, 3 meses).
- Nas seguintes sessões, trabalhar-se-ão os Objectivos definidos pelo Coachee, de acordo com as suas prioridades (identificados na primeira sessão), utilizando processos poderosos e de eficácia comprovada.
Em suma, alguns benefícios de quem passa por um processo de Coaching:
- Maior auto-confiança e segurança
- Entusiasmo e determinação
- Mais e melhor auto conhecimento
- Consciência do perfil actual e da proximidade ou distância do perfil pretendido
- Metas claras sobre o desenvolvimento pessoal e profissional
- Investimento na qualidade de vida como um todo
- Mais equilíbrio e expansão do Potencial Emocional
- Melhor capacidade de fazer escolhas adequadas Para marcação de sessão experimental contacta-me: (+351) 964 106 034 ou hugojesusroque@gmail.com
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Reflexão sobre uma filosofia de necessidades mínimas
Olá meu caro ou minha cara leitora, tudo bem contigo? Espero sinceramente que sim e mesmo que não esteja, o objectivo deste e doutros posts é, precisamente, dotar os seus leitores de certas e determinadas ideias capazes de aumentar o seu nível de consciência em relação à vida ou em relação a certas áreas específicas da vida. Quanto mais correcta for a nossa forma de pensar, mais correcta será também a nossa forma de sentir e actuar, que é o que todos queremos. O máximo bem-estar para o maior número de pessoas possível é o meu sincero anseio, porque quanto mais pessoas estiverem bem consigo mesmas mais fácil será que eu próprio também esteja bem, por isso, acaba por ser para meu próprio bem escrever este post ou fazer qualquer outra coisa capaz de influenciar outros positivamente. Mas passemos a falar sobre o assunto que aqui nos traz, ou seja, a filosofia de necessidades mínimas.
A filosofia de necessidades mínimas é uma filosofia cujo baptismo foi da minha autoria e que assenta num princípio lapidar de vida: “Não é feliz quem tem mais mas, sim, quem deseja menos”, uma frase que ouvi num debate “Prós e Contras”, proferida pela apresentadora do programa cujo nome não recordo mas que acho que é Fátima Não Sei O Quê, programa esse onde se falava sobre a depressão e a ansiedade. Na mesma linha de raciocínio, Buddha, há 2500 anos atrás foi taxativo: “O desejo é a causa causorum de todo o sofrimento!”
Ser-nos-ia fácil, engolir estas afirmações a seco mas não é isso que pretendemos. O que pretendemos é autonomia de pensamento, o que pretendemos é a integração do que aprendemos na nossa realidade particular e, nesse sentido, há que esmiuçar um pouquinho as verdades mastigadas pelos mestres de todos os tempos e idades. A ver: porque será que o desejo é a causa de todo o sofrimento?
O desejo é a causa de todo o sofrimento porque, assenta numa coisa chamada ignorância! Diga-se, um tipo muito específico de ignorância que assenta na ideia de que, para sermos felizes, temos que satisfazer todos os nossos desejos e caprichos. A grande armadilha implícita neste raciocínio é que, em primeiro lugar, a nossa mente está sempre a desejar todo o tipo de coisas, pelo que os nossos desejos são inexoráveis, não acabam, não há limites. Por outro lado, mesmo quando alguns desses desejos são satisfeitos, acabam por não trazer o preenchimento que se esperava com a sua satisfação. Ou seja, surge a desilusão, derivada da ilusão produzida pelo desejo. E o problema não pára por aqui: associado ao desejo estão vários outros problemas. O primeiro que gostaria de referir é o do medo!
Quando desejamos algo com muita força e acreditamos que esse algo irá trazer-nos felicidade, se acreditamos que a nossa felicidade depende da satisfação desse desejo, nasce daí, imediatamente, o raciocínio oposto, ou seja, se eu não conseguir satisfazer aquele desejo, não poderei ser feliz, ou seja, serei infeliz. E ninguém quer ser infeliz, certo? Então, o que surge? O medo de ser infeliz, o medo de não conseguir satisfazer o desejo e, sem dúvida, o medo é um estado de infelicidade, um estado de amargura, de sofrimento, certo? Este medo pode também derivar da satisfação do próprio desejo. Explico-me: desejo satisfeito, casa comprada, carro comprado, mulher conquistada, etc, seja o que for, surge o medo de perder o que se conquistou, ou seja, o desejo, quer seja ou não satisfeito tem sempre associada a si, inevitavelmente, a infelicidade, o sofrimento, sempre. Parece que Buddha tem alguma razão, não te parece? Então, se o desejo é a causa de todo o sofrimento, muito provavelmente, a ausência do desejo originará o fim do sofrimento! Eheh, eureka! Então, a morte do desejo origina, por extensão, a morte do sofrimento! Que descoberta, hã? Então mas…como se mata o desejo? Dá-se-lhe um tiro? Enforca-se, guilhotina-se, como?
Tem calma amigo ou amiga, vamos com muita calma.
Em primeiro lugar, necessita-se compreender que estas questões são complexas. Desejar e seguir o desejo são hábitos biopsicosócioculturais muito enraizados em cada um de nós e que não são assim tão fáceis de erradicar. Mas tudo tem de ter um início, não é mesmo?
E é aí que eu entro com a minha super inovadora filosofia de necessidades mínimas à qual se poderia igualmente chamar de filosofia de desejos mínimos.
Em primeiro lugar, importa compreender que as melhores coisas da vida são gratuitas: ir à praia, dar um passeio, meditar, dar um mergulho no mar, dormir, fazer amor, observar a natureza, fazer exercício físico. Em segundo lugar, importa aplicar medidas para ser possível estar o mais possível satisfeito no momento presente. É bom referir que o desejo nasce sempre de um estado interior de carência, de vazio e, por isso, se fizermos coisas específicas para nos preenchermos com alegria, paz, amor e felicidade, a satisfação no momento presente torna-se cada vez mais forte e os desejos vão perdendo força. Na minha experiência pessoal, a meditação é a forma mais eficaz de alcançar satisfação no momento presente, de estarmos bem connosco mesmos, de nos sentirmos cheios de energia de elevada frequência vibratória que se opões à energia densa do desejo. Ora, se estamos bem, porque motivo haveríamos de acreditar que precisamos alcançar algo de específico para nos sentirmos preenchidos? Ora, se nós já nos sentimos preenchidos mesmo, sem sair do sítio, sem tirar o rabo da cadeira, sem gastar dinheiro, sem andar em correrias frenéticas, sem chatear Deus e todo o mundo, sem ficar endividados, sem angariar inimigos, sem arranjar toda a espécie de canseiras e confusões para podermos conquistar os nossos desejos, porque motivo haveríamos de dar-nos a esse tipo de trabalheira? Quanto a ti não sei mas, eu cá, sou capaz de preferir a primeira opção. Mas não deves admirar-te se eu te disser que quase toda a gente prefere a complicação à simplicidade. Aliás, o estado caótico em que se encontra a nossa sociedade é prova disso mesmo! E desse caos em que a maioria das pessoas se encontra, aproveitam-se as entidades publicitárias às mil maravilhas para impingir-lhes todo o tipo de produtos, activando os desejos que existem dentro delas. Muitas vezes penso: se estes gajos das propagandas e publicidades estivessem dependentes de gajos como eu e tu para sobreviverem, estavam bem tramados!
Bem, espero ter sido claro, sobre o que significa a filosofia das necessidades mínimas. Qualquer coisa, é só perguntares, manda-me um e-mail que te responderei assim que puder.
Fica bem, um grande abraço!
terça-feira, 5 de julho de 2011
A importância de lidar calmamente com as adversidades da vida
Mais uma vez olá meu caríssimo ser humano!
Eu hoje estou inspirado para escrever posts, é quase como se toda a motivação que por vezes me falta durante semanas se tivesse concentrado toda num único dia, dia em que resolvi tirar folga do meu magnífico trabalho.
Este post trata de calma que, por vezes, nem sempre é fácil de ter perante as várias e inesperadas situações que a vida nos coloca. A vida tem uma forma muito peculiar de nos testar, de nos colocar à prova. E, curiosamente, o mesmo tipo de situações irão repetir-se continuamente até que aprendamos a lidar construtivamente com essas circunstâncias. E a magia desta questão é que, uma adversidade deixa sempre de o ser, a partir do momento em que passamos a saber lidar com ela, a dar-lhe a volta por cima. O que leva a concluir que, a adversidade é sempre uma percepção subjectiva, baseada na noção da dificuldade em lidar com uma determinada circunstância. A importância dos diversos acontecimentos da vidanunca se pode comparar com a importância de lhes reagir adequadamente. Por exemplo, se temos dificuldade em lidar com pessoas agressivas, se sempre lhes reagimos com medo e culpa, é bem provável que continuemos a ter de enfrentar repetidamente o mesmo tipo de pessoas e situações uma vez que os núcleos do medo e da culpa continuam activos dentro de nós. No entanto, no momento em que reagirmos adequadamente perante tal tipo de pessoas, se compreendermos o que elas verdadeiramente querem, se compreendermos que elas pretendem induzir-nos a alinhar em certo tipo de jogo no qual são controladoras e alguém é controlado por elas, teremos a hipótese de superar esse jogo e essas circunstâncias tenderão, cada vez mais, a deixar de ocorrer. Significa que passámos no teste, finalmente.
Dando um exemplo pessoal, encontrava-me há mais de duas semanas numa praia fluvial, onde trabalho como Nadador-Salvador. É um trabalho, por vezes, bastante monótono, o que me levou a criar mecanismos adequados para o combate ao tédio. Um dos mecanismos que utilizo é a vocalização do mantra OM. Inspiro lentamente, pela frente do peito abaixo, até aos órgãos sexuais e, em seguida, exalo a vocalização do mantra OM - OOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMMMMMMM - pela espinha dorsal acima até ao coração, passando pelo cérebro, o que me vai colocando num estado de intensa paz e autenticidade, que me leva a fazer coisas totalmente autênticas e saídas do coração. Nesse dia, essa acção foi a de ir dar um mergulho de uma ponte. Era algo que eu fazia já há bastante tempo, embora, neste ano, tenha sido a primeira vez que o fiz. Desloquei-me calmamente à ponte de ferro, empoleirei-me e mergulhei de cabeça para a água, sentindo o corpo refrescar cada vez mais à medida que o mesmo penetrava pela água abaixo. Vindo ao de cimo, avistei duas personagens que não sei de onde cairam mas que, ambas, vestiam calças azuis escuras e camiza azul clara. Nesse momento pensei: "estou lixado". No entanto, calmo como estava, devido à vocalização do mantra OM, pensei também: "bem, já que fui apanhado e fui mesmo, olha, só me resta lidar maduramente com a situação, assumir o erro, dar razão aos senhores, pedir desculpa e prometer que tal não voltará a acontecer". Nadei para terra e fui falar com os senhores, que me perguntaram se eu era o Nadador-Salvador, ao que respondi que sim. Perguntaram também o que eu achava do exemplo que, como Nadador-Salvador estava a dar às pessoas ao que respondi que, apesar de não ser o melhro exemplo, apenas o tinha feito porque se encontravam poucas pessoas dentro de água e por estar maré cheia, pelo que o perigo era mínimo. A coisa acabou por ficar por ali, não houve multas, não houve queixas, não houve consequências uma vez que não mostrei qualquer medo, não mostrei culpa, assumi a responsabilidade pelo que havia feito, pedi desculpas, prometi não repetir o comportamento e fui deixado em paz.
Obviamente, para um indivíduo de tipo Mental-Espiritual que sou, esta situação não pode deixar de ter o seu significado. É óbvio que a vida utilizou estes dois agentes para ver como eu me safava desta situação. E obviamente que passei no teste. Por isso, nestas situações, há que manter a calma, pensar sobre o que se vai fazer, aceitar que do ponto de vista de outrém não se agiu bem, assumir a responsabilidade, pedir desculpas e prometer que tal não tornará a acontecer.
E era isto que tinha para partilhar. Um grande abraço para ti caro leitor!
A importância de controlar a língua
Olá grande e caro leitor, tudo fixe contigo?
Venho aqui hoje ao blog para escrever sobre um tema importante e pertinente numa sociedade da informação em que acredito que se dá demasiada importância às palavras e que essa situação origina uma enorme quantidade de conflitos entre as pessoas, se se estivesse consciente de que as palavras têm pouco valor.
No entanto, esta conclusão de que as palavras têm pouco valor não deve servir de impulso para dizermos aquilo que bem nos apetece a todo aquele que nos aparecer pela frente. As palavras têm pouca importância, de facto, para quem está num nível de consciência acima do meramente egocêntrico, para quem está minimamente desperto. Para quem não está suficientemente desperto (e lamento ter de dizê-lo, mas é a maioria das pessoas), as palavras têm de facto imensa importância. Umas palavrinhas, um mero conjunto mais ou menos articulado de letras, é suficiente, em muitos casos, para levar uma pessoa à alegria ou ao desespero num curto espaço de tempo, ou seja, nessa circunstância as pessoas são meras vítimas das circunstâncias, das palavras, de ar e som.
O significado que se atribui ao que os outros dizem é o verdadeiramente importante, é aquilo que verdadeiramente é responsável pelas emoções sentidas por parte daqueles a quem as palavras são dirigidas. Se a pessoa que ouve certas palavras for suficientemente consciente para não se deixar identificar com o que está a ser dito, é capaz de permanecer sereno e impassível, compreendedno que, mesmo que a outra pessoa esteja a ser desagradável e insultuosa, esse estado pertence a ela mesma e não tem necessariamente a ver com o receptor do insulto. Pode também acontecer e acontece frequentemente, certas pessoas utilizarem os elogios, as palavras doces para levar alguém a actuar de boa vontade no sentido da sua própria conveniência.
Recordo há pouco mais de duas semanas uma situação ocorrida numa praia fluvial onde trabalho como Nadador-Salvador. A situação tinha a ver com uma rixa de palavras por telemóvel ocorridas entre duas raparigas, em que uma havia chamado a outra de "mulher da vida", meretriz, vaca, entre outras designações altamente interpretadas como pejorativas entre as mulheres. De repente, vejo a receptora de tais insultos, levantar-se, dirigir-se à rapariga em questão que se encontrava com o seu grupo de amigos, forçá-la a levantar-se e atirar-se aos seus cabelos, puxando-os violentamente e cobrindo-a, seguidamente, de fortes bofetadas até ao momento em que a sua irmã interveio e lhe pediu que parasse de bater na pobre rapariga, uma vez que já havia sido suficiente.
Não se tratando de nada que tivesse a ver comigo, permaneci sereno a observar o desenrolar da situação, enquanto pensava de mim para mim o quanto umas meras palavrinhas lidas num ecrã de telemóvel podiam ter em si mesmas o poder de manejar os 5 cinco centros da máquina orgânica de uma pessoa (Intelectual, Emocional, Motor, Instintivo e Sexual), tal como um artista maneja uma marioneta. Sinto-me forçado a dizer que por vezes, não somos mais do que isso mesmo: marionetas manejadas por fios invisíveis. (Ocorre-me que neste preciso momento posso, eu mesmo, estar a ser movido por fios invisíveis que me levam a escrever este post, eheh). O que aconteceu aqui foi que, a rapariga que enviou a mensagem, teve o poder de levar a outra rapariga a agir contra si, um poder usado de forma prejudicial para si mesma, uma forma negativa de poder. Estas palavras representaram uma ameaça contra o auto-conceito dessa rapariga. Por outras palavras, houve uma identificação com os insultos, de seguida essa identificação conduziu à fascinação egóica e, por fim, a fascinação egóica conduziu ao sono da consciência e aos terríveis actos de violência que poderiam ter consequências imprevisíveis. Todos sabemos que violência gera violência e que, caso não tivesse sido travada, não sei o que poderia ter acontecido. Tudo isto por causa de umas palavrinhas...
No entanto, a rapariga que foi vítima das bofetadas e dos puxões de cabelos, além do vexame a que foi exposta em plena praça pública, terá aprendido uma lição e, provavelmente, não voltará a repetir este comportamento. Terá aprendido o enorme poder que as palavras têm, que podem originar consequências de enormes dimensões. A vida, o universo, usou a rapariga que a esbofeteou como uma professora do ginásio psicológico da vida, foi uma forma de mostrar que as palavras têm poder e que este poder deve ser usado para o bem e nunca para o mal.
Em jeito de conclusão, gostaria de afirmar que o nosso dever para com a palavra é duplo: por um lado usar a nossa palavra de uma forma muito cuidadosa e sempre com bons intuitos; por outro, não nos identificarmos com aquilo que nos é dito. Aquilo que nos dizem que somos é apenas uma história que outra pessoa conta a si mesma acerca do que lhe convém acreditar acerca de nós e a verdade do que somos é a verdade do que somos e sempre seremos aquilo que somos, nunca o que os outros dizem que somos, tanto para o bem como para o mal.
Um grande abraço e obrigado por leres este post. Se quiseres, deixa-me o teu comentário, dúvida ou sugestão!
domingo, 19 de junho de 2011
O que é mais importante na vida
Olá caríssimo leitor, espero que tudo esteja bem contigo!
O assunto que hoje me motiva a escrever são os nossos valores!
Os nossos valores são, pura e simplesmente, aquilo a que cada um de nós dá valor. O guru de desenvolvimento pessoal, Daniel Sá Nogueira, no seu livro Trata a Vida Por Tu, afirma que os valores são algo de universal, ou seja, que todos nós damos valor às mesmas coisas: o amor, o sucesso, a inteligência, a paz, a fraternidade, entre outros. No entanto, o que varia de pessoa para pessoa é a ordem de importância, a hierarquia desses valores.
Estejamos ou não conscientes de quais são os nossos valores e da sua hierarquia, uma coisa é certa: ela existe e é responsável pelas decisões mais ou menos importantes que tomamos na vida. Sempre que temos de tomar uma decisão, pimba: aí está uma hierarquia de valores a funcionar. No entanto, essa hierarquia pode não estar construída de forma consciente, pode ser uma hierarquia determinada por pessoas e circunstâncias e não por verdadeiros critérios interiores que são aqueles que conduzem a uma vida feliz, verdadeira, preenchida, que é o que nós queremos. Tudo isto para dizer que podemos de uma forma consciente determinar quais os nossos valores mais importantes para que possamos viver o nosso dia-a-dia de acordo com eles.
Na passada 6ªFeira, dia 17 de Junho, apercebi-me de uma forma bastante amarga e dolorosa de que o principal valor da minha vida é a saúde. É muito fácil dizer que o maior valor da nossa vida é a saúde e depois no dia a dia andar a fazer várias coisas opostas ao preenchimento deste valor, tais como comer comidas pouco saudáveis, irritar-me por coisas que não me são possíveis controlar, beber cafés a mais, etc, mas esta visão de que a saúde é o valor mais importante que se pode ter só é conscientemente perceptível quando ela nos falta. Vou falar um pouco do que se passou.
Eram cerca de 12:00 quando me encontrava na praia a exercer o meu ofício de Nadador-Salvador, sentindo uma ligeira dor de cabeça que eu acreditei que iria passar. O que é certo é que a dor começou a aumentar e, comecei a colocar hipóteses para esta situação. Talvez andasse a dormir pouco nos últimos dias, talvez precisasse de comer uma sandes. E comi a sandes. Talvez precisasse de mandar um mergulho para refrescar a cabeça e assim fiz. Talvez precisasse de não me concentrar tanto em mim próprio e na minha dor e, por isso, decidi conversar com pessoas. O que é certo é que a dor foi aumentando e, por volta das 13:30 comecei a vomitar. Após o primeiro episódio de vómito, senti-me melhor e pensei que a coisa fosse passar, mas, o certo é que a saga continuou até chegar ao ponto de já não ter nada no estômago e continuar com o impulso do vómito, sem que conseguisse, obviamente, comer fosse o que fosse para preencher o estômago. Aliás, apenas o simples facto de pensar em comida me dava a volta ao estômago. A muito custo, obriguei-me a beber alguma água e comer uma maçã que, dentro de pouco tempo, teve o mesmo destino de tudo o que entrava no meu estômago.
A situação, longe de melhorar, piorava cada vez mais, agravado ainda com a preocupação de ter de deixar a praia não-vigiada para ir procurar assistência médica da qual estava a necessitar. Aguentei ao máximo mas, por volta das 15:30, decidi deslocar-me ao centro de saúde da Gafanha da Nazaré, o mais perto que havia.
Conduzia com imensa dificuldade, com vómitos e dores de cabeça latejantes, absolutamente sozinho, a ter de dar força a mim mesmo e não encontrava estacionamento. Finalmente, lá encontrei um estacionamento, desci do carro, perguntei a alguém onde era o dito centro, essa pessoa informou-me e dirigi-me lá a muito custo, para me dizerem que não tinham condições para tratar da minha situação, que tinha mesmo de ir ao Hospital. Procurava manter a calma, no meio de tanto sofrimento, o que era difícil. Confesso que saí revoltado do centro de saúde, praguejando contra a falta de condições daquela trampa de centro. Mas, adiante.
Conduzi valentemente pela A25 até às urgências do hospital de Aveiro, felizmente arranjei estacionamento, saí, desloquei-me à recepção para fazer a porcaria da ficha de inscrição enquanto pedi a um bombeiro um saco para o caso de ter de vomitar o que já se apresentava como inevitável e assim aconteceu antes de o pateta da recepção se dignar a levantar os olhos para me atender.
Ao fim de algum tempo, fui chamado, para uma sala cheia de macas, fazendo lembrar daqueles hospitais africanos com toda a gente ao molhe e fé em Deus. Uma médica de muito boa vontade e com muito trabalho para fazer além de me atender, pediu a um enfermeiro que me fizesse análises e preparasse o meu braço para receber soro e medicação. Os momentos em que estive deitado naquela cama souberam-me tão bem que nem sei como descrever o alívio que senti. De seguida, já ligado ao soro e ao analgésico, uma assistente apareceu, perguntando se conseguia segui-la com o equipamento de rodas que suportava o soro e a medicação ao que respondi que sim, algo contrariado, pois queria ficar na cama e arroxar mais um pouco, mas lá fiz esse esforço uma vez que, afinal, o que era o meu sofrimento comparado com o de toda aquela gente que se encontrava à minha volta, muitos deles às portas da morte? Segui a senhora até onde me encaminhou, para fazer um TAC, que pediu que me sentasse na sala de espera. Antes disso, porém, tive de vomitar novamente, tive de ir à casa de banho próxima dali. Entretanto chegou o médico que iria fazer-me o TAC, para despistar alguma eventual causa de origem cerebral para o meu estado.
Estar deitado naquela máquina permitiu-me deitar, fechar os olhos e entrar num profundo estado de meditação, ausência de tempo e pensamento que me encheu de força para recuperar do estado de doença aguda que me atacara. Passado algum tempo, fui de novo convidado a levantar da cama (contrariado, sem dúvida, mas menos do que na vez anterior) e voltei a seguir uma assistente, conduzindo eu mesmo o carrinho do soro e do analgésico até à sala de espera onde estivera da primeira vez. Nessa sala de espera, sentado numa cadeira, entrei novamente em profundos estados de meditação que me ajudaram novamente a recuperar uma força curativa de que urgentemente necessitava. A dada altura, percebi que podia ocupar dois bancos, desde que me deitasse de barriga para cima e de joelhos flectidos, colocando o carrinho numa posição que me permitisse permanecer dessa forma. Foi mais uma forma de estar repousado, de olhos fechados, enquanto o soro e os medicamentos iam fazendo o seu efeito, lenta e progressivamente, mas com segurança.
Eram cerca de 18:00 quando já quase não sentia qualquer dor de cabeça, estando apto a falar com a minha mãe, com o meu pai, com o meu coordenador da associação de nadadores-salvadores e, por fim, com um senhor que também se encontrava com problemas de saúde e com quem travei uma conversa interessante acerca da importância que tem a saúde e de como é incrível só lhe darmos o devido valor quando ela nos falta. Este senhor, que praticara boxe e natação quando jovem, entretanto, foi embora e eu fiquei sozinho esperando que uma médica me chamasse, enquanto uma felicidade extraordinária ia surgindo dentro de mim, proveniente do alívio da dor.
A doutora, finalmente, apareceu, pediu que a acompanhasse, referiu que estava tudo bem com as análises e com a TAC, as agulhas foram-me tiradas pelo mesmo enfermeiro da vez anterior e, de repente, fiquei livre para ir à minha vida, conduzindo o meu carro cheio de força, vitalidade, felicidade e cheio de vontade de viver (que nem o facto de ter de pagar €35 por todos os exames a que fui submetido conseguiu abalar), com a consciência de que, indubitavelmente, a saúde é o nosso bem mais valioso, o mais importante valor que podemos ter porque, sem ela, é impossível apreciar alegremente seja o que for que a vida tenha para nos oferecer!
Um grande abraço, querido leitor e muita saúde para ti!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Sobre as fases de indefinição na vida
Olá amigo leitor, tudo fixe?
Hoje venho aqui com o objectivo de falar sobre aquelas fases de desnorte pelas quais penso que, mais ou menos todos nós, de uma forma ou outra, quer o admitamos quer não, passamos (acredito não ser o único a passar por esse tipo de fases).
São fases em que é difícil ter clareza de visão a longo-prazo. Suspeitamos que o rumo que a nossa vida segue não seja o certo para nós mas, por outro lado, falta-nos uma alternativa viável. Ou, pode ser que se apresente uma alternativa viável mas que comecemos a duvidar dela, perguntando-nos se aquilo será o melhor para nós ou ainda, pode acontecer que essa alternativa seja altamente aliciante por um lado, mas por outro apresentar um elevado potencial de perda a outros níveis que, de uma forma mais ou menos consciente, não estejamos dispostos a suportar ou, até mesmo, olhemos com pânico essa possibilidade.
Falando de um exemplo pessoal, para que se torne mais simples a compreensão do que vimos analisando, há pouco mais de um ano, talvez por volta de Março de 2010, encontrava-me sem emprego. Havia acabado um curso do qual não gostei muito, por alturas de Dezembro de 2009 e andava em Março a terminar um projecto de Certificação em Coaching. Terminado esse projecto, encontrei-me perante um deserto. Por um lado, não gostara do curso que tirei e por outro, a realização do projecto de Certificação em Coaching que eu acreditara ser uma vocação, acabou por não se revelar tão compatível com as minhas apetências como pensava. Nessa altura, encontrava-me perante a necessidade de criar um caminho mas não estava a ser capaz de fazê-lo. Poderia sempre trabalhar como Nadador-Salvador no Verão, mas até iniciar a época balnear faltavam ainda 3 meses o que era tempo a mais para estar sem trabalhar.
Surgiu então a possibilidade de trabalhar na Ryanair, como comissário de bordo. As condições gerais agradaram-me, em termos financeiros, em termos da possibilidade de viajar, em termos de duração de contrato e, por isso, apresentava-se como uma experiência importante. No entanto, com o decorrer do curso, apercebi-me de que não era bem aquilo que eu queria e que, quanto mais se aproximava a altura de partir para a Suécia, base onde fora colocado, mais me sentia triste por ter de abandonar o nosso magnífico país. No entanto, reprovei no último exame, eram por esta altura 3 de Maio, faltando um mês para o início da época balnear.
A época balnear, entretanto, chegou, e lá fui eu cumprir o meu profundo desejo de trabalhar como Nadador, que era precisamente o que queria. Foram três meses com um propósito de vida, que me elevaram em termos anímicos e espirituais.
No entanto, finda a época balnear, retornei ao vazio, à falta de propósito. Essa falta de propósito profissional foi substituída pelo propósito de encontrar um emprego, tendo ido a uma grande quantidade de entrevistas e tendo entregue uma boa quantidade de CV’s numa boa quantidade de locais diferentes. Por algum motivo que desconheço, não consegui encontrar o tal emprego, lançando-me por vezes num vazio de propósito difícil de aguentar, bem como, no medo de o tempo estar a passar e eu não estar a trabalhar o que é sempre um mau sinal para entrevistadores empresariais.
Chegado a finais de Janeiro, resolvi meter-me num curso de formação de formadores (CAP) com o intuito de criar um propósito enquanto não arranjava emprego. Entretanto e, finalmente, chegado a Abril, consegui um estágio profissional numa empresa metalomecânica, produtora de Betoneiras. Mas, um dia bastou para que percebesse não estar minimamente motivado para ali ficar, devido a uma sensação de sufocante claustrofobia. No dia seguinte nem sequer apareci na empresa, indo lá na 4ªFeira para me despedir. Nessa altura, os meus pais não acharam qualquer piada à minha atitude e disseram que teria de abandonar Aveiro para vir para a Figueira, onde não iria estar a dar despesas desnecessárias, uma vez que não estava a fazer nada (pensam eles).
E assim foi. Vim para a Figueira, onde estou desde início de Abril e, apesar de não ter sido a mudança dos meus sonhos, não deixou de ser uma mudança e todas as mudanças têm em si a capacidade de nos sacudir da letargia e ausência de propósito que tal sentimento acarreta.
No entanto, durante este quase ano e meio após o término do meu curso universitário, um propósito sempre se manteve firme e intacto. E esse foi o de meditar diariamente, o de fortalecer-me diariamente, o de manter-me o mais calmo, pacífico e conectado possível, o de pesquisar livros e informação na Internet, acerca de como descobrir o meu propósito e lidar com o vazio provocado pela ausência de um claro propósito de vida. Se neste tempo não consegui arranjar trabalho em Aveiro, que me permitiria continuar a frequentar o Centro de Meditação e manter-me na minha zona de conforto (“segura”, ainda que insatisfatória), foi porque realmente nunca foi essa a minha vontade, simplesmente nunca tive coragem de admiti-lo porque sei que ninguém aceitaria tal justificação, nem eu próprio a aceitava.
Felizmente, iniciarei o meu trabalho como Nadador-Salvador dentro de poucos dias (a não ser que a vida decida trocar-me as voltas), começo no dia 15 deste mês, o que me confere um propósito com 3 meses de duração, regressado a Aveiro, às magníficas ondas da Costa Nova. Entretanto, inscrevi-me no programa de estágios internacionais Inov-Contacto e estou preparado para ir trabalhar para o estrangeiro, seja para onde for, que me proporcione perto de um ano de propósito remunerado, após o propósito de nadador ter terminado.
No entanto, algo que nunca farei, é deixar de meditar e de aprender a lidar com as travessias do deserto da vida, por vezes longas, em que temos de ser capazes de ser pacientes, tenazes e de nos mantermos atentos, de preferência escrevendo regularmente sobre o que se passa dentro de nós, caso não tenhamos o privilégio de conhecer um Ser Humano suficientemente generoso para aceitar a nossa temporária incapacidade de discernimento a longo-termo e com quem possamos conversar acerca disso. Porque apenas quem passou por isso e o enfrentou está em verdadeiras condições de saber o extremo sofrimento que tal situação pode provocar, bem como, a nunca desprezível, possibilidade de crescimento interior a vários níveis. Quanto maiores as ameaças maiores as oportunidades, já dizia o sábio Albert Einstein!
Afinal de contas, se não conseguimos visualizar nem criar um propósito, talvez signifique que é precisamente nessa situação que precisamos de estar. É precisamente isso que temos de aprender a enfrentar. É precisamente isso que é suposto estar a acontecer. É precisamente isso que a vida quer para nós. E porque razão digo isto? Simplesmente por ser isso que está a acontecer!
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